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IMPRESSOS: JORNAL

A matéria ''êstes construíram brasília'' - ver Êstes ↗︎ - aparece aqui transposta para o formato de jornal.

 

Em seu gênero de publicação – papel manipulável individualmente, destinado a grande circulação –, a folha de jornal alinha-se a uma ideia de monumentalidade: graças a suas dimensões, imagens ocupando folhas inteiras de jornal possuem uma presença mais forte do que as mesmas imagens em revistas. Além disso, o jornal possui uma carga maior de espetacularização das notícias: grandes primeiras capas são dados históricos potentes, ao mesmo tempo, no entanto, em que são publicações mais descartáveis, impressas em papel mais barato. A transposição da matéria da revista Brasília para o jornal evidencia, portanto, pela materialidade, o caráter espetacular, descartável e de matéria pobre daquela prática de culto à imagem dos “heróis do modernismo”. Tensiona-se assim também o papel da imprensa na construção dessa história, bem como a propaganda ideológica que, no seu pretensioso tom de grandiosidade, afirmava uma ideia que não se sustentaria nem por uma década. O fato de que o jornal é prensado sempre à noite para estar pronto pela manhã dialoga também com a questão da insônia e do trabalho feito sobre o sono dos outros – como os olhos fechados dos retratos acusam.

Este jornal foi impresso usando um processo de transferência de xerox: imprime-se textos e imagens separadamente em papel A4 e depois utiliza-se um solvente e uma prensa para passar o conteúdo das folhas A4 para o papel jornal. Esse processo adiciona uma camada de improviso ao trabalho e sublinha a dicotomia entre produção industrial e produção artesanal, a qual também se relaciona com o modernismo brasileiro – que produzia módulos de concreto usando tábuas reaproveitadas, arame, martelo e prego. Remete ainda ao processo de diagramação analógica que utiliza tipos de metal ou madeira.

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IMPRESSOS: POSTAIS

As imagens que integram o conjunto ''Memória afetiva'' - ver Memória ↗︎ - aparece aqui transposta para o formato de jornal.

O título ''Memória'' faz referência à oposição violenta entre a memória real, pessoal e documental que os trabalhadores podem ter do cotidiano daquela construção e o fato de que essa experiência não encontra lugar no pensamento oficial. A honestidade das imagens alteradas, que pela interferência do Deep Angel tornaram-se adequadas ao que era propagado pelo discurso oficial, formaliza essa presença pela ausência que o símbolo-Brasília carrega, essa presença como glitch, essa ausência como memória.

Essas imagens manipuladas foram impressas, com seus apagamentos, no formato de cartões postais. A versão física desses apagamentos se aproxima da noção de memória afetiva, compondo uma coleção de fotografias pessoais ou desse tipo de registro-correspondência que é o cartão-postal. Reunidas nesse formato, essas imagens se assemelham a lembranças de viagem ou álbum de fotografias. Em geral, cartões postais enviados por viajantes para amigos e parentes, transportam imagens bonitas, exemplares, ideais até, dos lugares visitados. Brasília é um cartão postal do Brasil. Aqui estão, então, belos registros de sua construção, com o evidente apagamento (o claro obscurecimento – para reforçar a antítese) dos candangos, da realidade local.

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